sábado, 12 de setembro de 2009

Daniel Tyteca


Foto de um encontro inesquecível embora fortuito do autor com Daniel Tyteca, no castinçal da Serra de Montejunto, no dia 1 de Maio de 2009.

Andávamos ambos à procura das plantas do género Dactylorhiza existentes nesta zona, que acabámos por não encontrar.

Conforme informação do vigilante no local, em 2009 não foram vistas plantas. Questões climatéricas ou vandalismo ?

Dactylorhiza insularis - Foto tirada em 17 de Maio de 2007, no castinçal da Serra de Montejunto.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

As orquídeas da Serra de Montejunto

A Serra de Montejunto fica situada apenas a cerca de 40 km a Norte de Lisboa, entre a A1 e a A8, e é um símbolo de beleza selvagem e extraordinária que urge preservar, cujos acentuados relevos, formações calcárias, misteriosas grutas e a diversidade animal e vegetal a tornam um património natural inigualável.

A sua morfologia imprime-lhe um carácter de inacessibilidade que inviabiliza qualquer povoamento humano. Devido ao seu microclima característico de transição entre a influência marítima e continental, e às condições geomorfológicas desta serra, a sua fauna e flora são muito distintas das dos ecossistemas envolventes.

A sua estrutura geológica proporciona a existência de várias dezenas de grutas e algares distribuídas por todo o espaço da serra, no entanto a sua exploração, pelos riscos envolvidos, está reservada aos especialistas. É outra história ...


Dedaleiras (Digitalis purpurea)
É uma Área de Paisagem Protegida desde 1999, e Sítio da Rede Natura 2000 e é parte integrante do Maciço Calcário Estremenho, onde se encontra o ponto mais alto da Região Oeste. É pequena (15 km de comprimento) e de baixa altitude (666 metros). Tem acessos rodoviários por Pragança, Vila Verde dos Francos e Abrigada.

Aspecto do pinhal da Serra de Montejunto
O coberto arbóreo tem sido quase totalmente destruído pelos incêndios de Verão, o mais devastador dos quais em Setembro de 2003.

Porque vale então a pena ir à Serra de Montejunto:

· Pela vista do Miradouro da Salve Rainha, onde em dias claros e limpos podem-se avistar as Berlengas e o Sítio da Nazaré.
· Pelo Convento e Real Fábrica de Gelo, construída para abastecer Lisboa de gelo ... em 1741 !
· Pela vegetação que restou, especialmente o castinçal.
· Na Primavera, pelas orquídeas ...

Na Serra de Montejunto, ainda resiste o castinçal mais meridional de Portugal, talvez por estar perto de um quartel da Força Aérea ... Pois não creio que o espírito dos frades dominicanos que o plantaram no século XVIII (os mesmos que construíram o Convento e a Real Fábrica de Gelo) ainda o proteja. É um sítio belo e mágico.

O castanheiro é uma árvore de folha caduca, que está espalhada um pouco por todo o país, mas predomina nas zonas com altitudes superiores a 500 metros e com baixas temperaturas no Inverno (Vila Real, Bragança, Guarda etc.),

Os castanheiros chegam a atingir 45 metros de altura e a formar copas com 30 a 40 metros de diâmetro, e têm um período de vida muito elevado, chegando ao milhar de anos ...

Distingue-se o castinçal, que é um povoamento de castanheiros bravos (não enxertados) destinados à produção de madeira, dos soutos, povoamentos de castanheiros mansos, enxertados, para a produção de castanha.

Castinçal de Montejunto
É neste ambiente que subsistem 2 populações de Dactylorrizha insularis, que pelo menos até 2008 têm vindo a ser vistas todos os anos.

Dactylorrizha insularis - Fotos tiradas em 2007.

Quanto a outras espécies presentes, é uma das zonas mais ricas dos arredores de Lisboa. Já encontrei também:
- Barlia robertiana
- Orchis mascula
- Orchis italica
- Orcis anthropophora (Aceras anthopophorum)
- Orchis x bivonae (híbrido Orchis anthopophora x Orchis italica)
- Serapias parviflora
- Ophrys lutea
- Cephalantera longifolia

Ophrys lutea da Serra de Montejunto

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A Dactylorhiza caramulensis de Montemuro

Outro dia, algures em Junho do ano passado, passei de novo pela Serra de Montemuro, e reparei que o prado estava repleto de umas flores que me pareceram, à distância ... orquídeas.

E eram mesmo, as primeiras orquídeas que fotografei fora das zonas calcáreas (o terreno em Montemuro é granítico, portanto ácido, ao contrário dos terrenos alcalinos das zonas calcáreas).

Em algumas orquídeas, existem pelo menos duas opiniões relativamente ao nome de certas espécies... esta que fotografei, para uns autores, será a Dactylorhiza maculata ssp. caramulensis (para a equipa luso-espanhola da Flora Iberica, por exemplo), e para outros, como Daniel Tyteca (para mim, o “especialista”), será simplesmente Dactylorhiza caramulensis.

As orquídeas do género Dactylorhiza são “parecidas” com as Orchis ... , embora as diferenças sejam patentes nas macro-fotografias apresentadas.










segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Orchis

As orquídeas do género Orchis são belas e elegantes. Existem em Portugal 14 espécies e sub-espécies deste género, das quais 5 são consideradas muito raras e 4 raras.

As 3 espécias apresentadas são as mais vulgares, existindo a Sul do Rio Vouga até ao Algarve.

Orchis conica da Serra de Aire e Candeeiros


Orchis mascula da Serra de Montejunto


Pormenor das flores de Orchis mascula



Orchis italica junto a Bucelas

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Serapias parviflora

Uma estória curiosa, que apenas mostra que nunca devemos andar sem a máquina fotográfica...

Num dia de Maio, num relvado de um parque de escritórios nos arredores de Lisboa, encontrei uma colónia espectacular de cerca de 10-12 indivíduos de Serapias parviflora.

Era de manhã. Na hora do almoço, fui a casa (moro em Lisboa) buscar a máquina, para constatar, quando lá voltei cerca das 3 da tarde, que tinham acabado de cortar a relva ... e as orquídeas. Todas menos uma, que situada muito na orla do relvado, tinha escapado. Foi só essa que acabei por fotografar, e cujas fotos apresento.

Uma nota final: ainda tentei encontrar os restos da relva cortada e das orquídeas, mas já iam a caminho da lixeira municipal...



Serapias parviflora na orla de um relvado em Porto Salvo


Pormenor do exemplar anterior


Pormenor da flor

sábado, 8 de setembro de 2007

Anacamptis pyramidalis

A Anacamptis pyramidalis, de nome comum Satirião-menor, é uma orquídea terrestre calcícola, ou seja, só existe em zonas alcalinas, resistindo mesmo a zonas muito alcalinas.


Anacamptis junto a Vila Verde dos Francos

Pode ser encontrada na zona calcária oeste, entre o Sado e o Vouga, entre o Tejo e o mar, numa faixa de cerca de 60 km de largura, mas também no Algarve. Não existe portanto na zona adjacente a Espanha, desde o Rio Minho ao Guadiana ... embora seja citada por ser a orquídea mais abundante na Península Ibérica.

É reconhecível pela inflorescência em forma de pirâmide compacta (daí o nome da espécie ...) formada por flores rosadas ou arroxeadas, que pode ter uma altura de 30 cm. Tem um cheiro adocicado.

Pormenor do exemplar anterior

É uma das espécies incluídas no anexo B do Regulamento (CE) n.o 338/97, cuja introdução na Comunidade é suspensa.


Pormenor da flor da Anacamptis pyramidalis

A raíz desta orquídea (à semelhança de outras), seca e moída, dá um pó fino, chamado “salep”. Uma descrição que encontrei, em língua galega (muito curioso, o galego !) do salep, acessível em http://www.zonalibre.org/blog/clop/archives/075316.html :

Moendo o tubérculo seco de algunhas especies de orquídeas, obten-se un po amarelo, o salep, que se utiliza para preparar unha bebida quente que se bebe en Turquía. Tamén se utilizou como reconstituinte para convalecientes pero as suas propiedades non foron cientificamente probadas. Está formado o po por mucílago, azúcar e almidón. Co mucílago tamén se fai unha xalea para as irritacións dos intestinos.

Para quen queira preparar o salep unha receta: recolle-se o tubérculo lateral e ferve-se en auga ou leite antes de po-los a secar (pasase-lles un fio e penduran-se a secar) e facer o po. Unha culler de po, outra de fécula de pataca, outra de fécula de arroz, sucre, e medio litro de leite. Deixa-se ferver dez minutos e sirve-se con canela e moi quente. Eu non o preparei, cando vaia a Turquía xa o beberei. No caso das lavativas via rectal espero non ter que usa-las.

Anacamptis da Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz)

Pormenor do exemplar anterior

Outras referências:

http://www.botanical.com/botanical/mgmh/o/orchid13.html


segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A minha primeira orquídea

As primeiras orquídeas que encontrei foi um grupo de Barlia robertiana na Serra Daire e Candeeiros. Estava a chover copiosamente, mas as enormes orquídeas debaixo de um olival mesmo à beira da estrada chamaram a minha atenção.


As minhas primeiras orquídeas - Barlia robertiana na Serra Daire e Candeeiros, Março 2005

A Barlia robertiana é a maior orquídea terrestre portuguesa, podendo atingir até 1 metro de altura. É também uma das que floresce mais cedo, havendo locais onde floresce em Janeiro. O nome comum é “cravo-de-burro” (em Português) e “giant orchid” (em Inglês).

É uma espécie vulgar em olivais e terrenos abertos. Na região Mediterrânea, quando a maior parte das orquídeas está a começar a floração, as Barlias já estão normalmente na fase de semente.
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Flores de Barlia, Março 2005
Em Portugal, as Barlias existem na zona Oeste, entre os Rios Sado e Mondego, e numa faixa de cerca de 60 km do oceano.Os melhores locais são a Serra da Arrábida, Serra Daire e Candeeiros, e o maciço calcáreo de Lisboa, que inclui até à Serra de Montejunto. Não ocorre no Algarve.
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Grupo de Barlia robertiana na Serra Daire e Candeeiros, Março 2005