quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Serapias cordigera

A Serapias cordigera é, dentro das plantas deste género presentes em Portugal, aquela que tem o labelo maior.

As dimensões médias são:
- largura do hipoquilo: 15 – 28 mm
- comprimento do hipoquilo: 13 – 32 mm
- largura do epiquilo: 15 -25 mm
- comprimento do epiquilo: 9 – 15 mm


O labelo é ainda piloso e apresenta-se “enrugado”. A sua forma tradicional é cordiforme:

 
 

Têm recentemente sido reconhecidas 2 subspécies: a cordigera, de cor vermelho escuro, e a gentilii, de cor muito mais clara.

As fotos foram tiradas em Portel (cortesia do Ivo Rodrigues) e no Barranco do Velho (cortesia do José Monteiro), em 26 e 30 de Abril de 2013.


S. cordigera cordigera


  




                                     
                
 
                                                          S. cordigera gentilii

 
  
 
 

S.cordigera hipocromática

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Orchis anthopophora, Orchis italica e seu híbrido Orchis x bivonae

Numa encosta da Serra de Montejunto, junto a Vila Verde dos Francos, existem grandes populações de Orchis anthopophora, Orchis italica, e do híbrido interespecífico Orchis × bivonae.

São ainda visíveis alguns exemplares de Orchis italica hipocromática.

As fotos de 2011 foram tiradas em 10 de Abril.


Aspeto geral das populações



 Orchis italica

Outro exemplar menos colorido
Pormenor da flor
 
2 plantas hipocromáticas entre diversas plantas de coloração normal
Orchis italica forma albiflora
Pormenor da flor
Orchis anthopophora 

Pormenor da flor
Outros exemplares de outros locais
O. x bivonae entre O. anthopophora e O. italica

O. x bivonae e O. italica



O. x bivonae
Percebe-se porque a O. anthopophora é conhecida por rapazinhos …

quarta-feira, 27 de março de 2013

Mais uma espécie, desta vez do grupo O. omegaifera: Ophrys lenae



Na publicação referida no post anterior (Journal Europäischer Orchideen 44 (1): 2012, publicado por Tyteca e Lowe) é referida, a par da O. pintoi, uma outra espécie nova, desta vez do grupo O. omegaifera: a Ophrys lenae, cujo nome provém do Rio Lena, em cuja proximidade é encontrada.

Escuso de repetir as considerações relativas à sistemática, incluídas no post anterior, pelo que me limito a tentar descrever as características.


Esta espécie é basicamente um hibrido entre O. fusca e O. dyris, mas não ocasional, tendo evoluído para formar populações estáveis. O híbrido ocasional tem a designação de O. ×brigittae.
 

O sulco na base do labelo é moderado (entre os das O. fusca e O. dyris), e as dimensões relativas do mesmo são mais perto do quadrado que do retangular. O labelo tem uma forte curvatura longitudinal.

No mesmo local havia Orchis mascula, Ophrys tenthredinifera, Himantoglossum robertianum, e também Ophrys pintoi (curiosamente, e ao contrário do que é referido no artigo acima citado !).

A par de exemplares de altura normal, algumas O. tenthredinifera eram ainda mais pequenas que a O. pintoi. Mas a população desta espécie na zona era quase toda de reduzida altura.

Fotos tiradas em 23 de março de 2013, na Serra de Candeeiros. As plantas encontram-se na generalidade molhadas.


Aspeto do meio
Ophrys pintoi

Comparação entre os labelos de Ophrys pintoi (esquerda) e Ophrys lenae

Grupo de Ophrys lenae


2 exemplares de Ophrys lenae


2 vistas da mesma flor

Curvatura longitudinal da flor

 4 vistas de outra flor

Diversas flores de O. lenae

O. tenthredinifera anã

Pormenor da flor















segunda-feira, 11 de março de 2013

Ophrys pintoi, uma nova espécie do grupo O. fusca

A Flora Iberica reconhece 3 sub-espécies de O. fusca: fusca, dyris e binululata


Se estes taxa são sub-espécies ou espécies, é outra questão. A sistemática deste grupo, como aliás de muitos outros grupos de orquídeas, é muito complexa e controversa, dado a tendência atual de alguns estudiosos de atribuir valor taxonómico a pequenas diferenças morfológicas na pilosidade, tamanho, e coloração do labelo, diferenças fenológicas (data da floração, por exemplo), e até diferenças no agente polinizador.

Conforme os desenhos apresentados na Flora Iberica, estas 3 sub-espécies são tipicamente:


fusca
dyris
             
                                                                   binululata                                       

Como outras sub-espécies (ou espécies …) têm sido referenciadas lupercalis e arnoldii (referidas na própria Flora Iberica), mas ainda iricolor, lucifera, algarvensis, lucentina, subfusca

Esta diferenciação é baseada principalmente em variações de:
- Forma do labelo
- Convexidade ou planura do labelo e das suas margens
- Dimensão da orla amarela do labelo, caso exista
- Pilosidade


Posto isto, Tyteca e Lowe publicaram em 2012 no Journal Europäischer Orchideen 44 (1): 2012, a descrição de uma nova espécie, que nomearam de O. pintoi (em honra do botânico português António Rodrigo Pinto da Silva, falecido em 1992) que, basicamente, floresce antes da O. fusca e tem dimensões muito mais reduzidas. São populações existentes junto a Rabaçal e Ansião, no centro de Portugal.



 O. pintoi

No dia 2 de Março de 2013, enquanto que a O. fusca começava a aparecer, a O. pintoi já estava na parte final da floração. Quanto às dimensões, basta ver as fotos abaixo. O isqueiro é um vulgar modelo de bolso com 8 cm de altura, e a moeda é de 50 cêntimos.
 


 
Não têm margem amarela, tem reduzido número de flores por planta 1-2/4-5, e tem um labelo moderadamente convexo.

Interessante é ver, no mesmo espaço, embora em populações afastadas cerca de 200 m, e com orientações geográficas diferentes, O. fusca e O. pintoi.


O. pintoi, numa encosta virada a Norte
 
 No mesmo local havia Orchis mascula

 
 Orchis mascula e Ophrys pintoi

 Havia Ophrys tenthredinifera, Himantoglossum robertianum e também Ophrys fusca !

A Ophrys fusca começa agora a florescer



domingo, 1 de julho de 2012

A Dactylorhiza markusii de Bornes

 O povoamento de castanheiros

A Dactylorhiza markusii (ou D. sulphurea, conforme a Flora Iberica e a Nova Flora de Portugal, de L. Amaral Franco e M.L. Rocha Afonso, 2003) é uma planta lindíssima, com flores de um amarelo vivo, o que não é comum nas orquídeas (normalmente entre o branco e o rosa, violeta, ou castanho).

Partilha esta carateristica com outra espécie deste género (a D. insularis, de que falei anteriormente).

Esta população encontra-se num souto jovem na Serra de Bornes, em conjunto com C. longifolia e N. maculata.

 Um grupo de 3 exemplares

 A beleza da D. markusii

 Um pormenor da inflorescência

 
É bem visível o esporão ascendente

Estes exemplares foram observados numa saída da AOSP, com a colaboração de José Monteiro.