sábado, 13 de julho de 2013

Faltou um bocadinho … assim …

Pois faltou um bocadinho … assim … Estou a referir-me às minhas observações em 2013 de 2 das orquídeas terrestres raras em Portugal: Cephalanthera rubra e Epipactis fageticola.

Em saídas da AOSP, por terras de Bragança e na Serra da Estrela, encontrámos exemplares destas espécies. Em outros anos, já floridas nessa altura do ano. Mas este ano, chuvoso quando não era preciso, e seco quando não devia, a generalidade das orquídeas estará atrasada 2 a 3 semanas, mas outras nem chegam sequer a florir, por falta de água na altura certa.

São ambas espécies que vivem em soutos, portanto na sombra. Não são plantas robustas. A Epipactis demonstra alguma preferência por terrenos próximos das linhas de água, o que é patente pela altura de inserção das primeiras folhas.

A Cephalantera rubra está há muito referenciada para Portugal, embora somente para Trás-os-Montes. Quanto à Epipactis fageticola, trata-se de uma descoberta recente, no Souto do Concelho, Manteigas.
 


Epipactis fageticola - Ribeira de Leandres, souto do Concelho, junto ao Poço do Inferno, Manteigas




Cephalanthera rubra – Fresulfe, Bragança

Epílogo: A Serra da Estrela não fica assim tão longe de Lisboa, ao contrário de Bragança (metade do caminho!). Pelo que passada uma semana, meti-me outra vez à estrada para tentar fotografar a Epipactis fageticola com a flor aberta. E com sucesso ! Aqui está ela. Notar o hábito pendente da influorescência.





Objetivo para 2014: observar a Gymnadenia conopsea, outra das raridades, que só existe nas serranias do Gerês. E já agora, à boleia, a Dactylorhiza ericetorum, mais vulgar, mas que ainda não encontrei. O amigo Américo Pereira sabe onde elas estão! Então um hibrido entre as duas, seria ...extraordinário.




sexta-feira, 5 de julho de 2013

Platanthera bifolia

Única espécie deste género presente em Portugal. É bem diferente das outras orquídeas terrestres portuguesas, e caracterizada pelo esporão filiforme e longo (penso que o mais longo de todas), tipicamente com mais de 20 mm de comprimento.

As localizações conhecidas são em redor de Vila Real (Campeã – Póvoa da Serra) e na Serra da Lousã. Outras populações referenciadas no século XIX (!), por exemplo em Vila do Conde, Vale de Cambra, já devem ter desaparecido.

Exemplares fotografados em Póvoa da Serra, Vila Real, em 7 de Junho de 2013. Esta população encontra-se num local mais aberto no meio de um souto, entre outra vegetação. Substrato alcalino.

 

 

 
 

  




domingo, 30 de junho de 2013

Orquídeas de Portugal em Londres

Bem, foi uma surpresa encontrar orquídeas terrestres portuguesas no London Orchid Show promovido pela Royal Horticultural Society nos passados dias 11 a 13 de Abril.

Embora a esmagadora maioria das orquideas fossem orquideas exóticas, cultivadas, oriundas da Asia ou América do Sul, havia em exposição e venda algumas orquídeas silvestres (o que os ingleses chamam hardy orchids) europeias.

E pelo menos uma delas – uma Serapias parviflora - foi reproduzida utilizando sementes vindas de Portugal, conforme informação do expositor.

Existiam ainda em exposição outras espécies tais como Spitanthes, Gennaria, Ophrys, Dactylorhiza e Platanthera.

A promoção do cultivo em jardins de orquídeas silvestres – que no Reino Unido assenta fundamentalmente em espécies dos géneros Dactylorhiza e Cypripedium – a partir de espécies cultivadas a partir da semente, ou por divisão meristemática, tem alguma expressão, existindo diversas empresas (embora de pequena dimensão) que se dedicam a este negócio.

Algumas destas espécies existem em Portugal, como por exemplo a D. maculata. Quem sabe se podem ser adaptadas a plantas de jardim ?

 
Aspeto da exposição


 A Serapias parviflora portuguesa






Orquideas terrestres à venda


 Um pormenor curioso: lá, como cá, a Epipactis palustris parece extinta …

Uma das orquídeas exóticas que comprei - Alaticaulis (Masdevallia) impostor – acabou de florescer agora em Junho com uma estranha e belíssima flor






sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Neottia nidus-avis

A Neottia nidus-avis é das orquídeas simultaneamente mais estranhas e mais belas de Portugal. 

É conhecida apenas na Serra do Buçaco e em Trás-os-Montes (Serra da Nogueira e Vinhais), e é facilmente reconhecida pela sua cor amarelo-acinzentada.

Uma das poucas orquídeas existentes em Portugal (as outras são do género Limodorum) praticamente desprovida de clorofila, não possui assim a capacidade de produzir glicose a partir da fotossíntese e por isso alimenta-se de outros seres vivos autótrofos, direta ou indiretamente (heterotrofismo).

Por não possuir clorofila, não necessita de luz solar, pelo que aparece em zonas muito sombrias de bosques, no caso de Trás-os-Montes, de castanheiros.

Ao contrário das orquídeas autotróficas, a associação a um fungo (neste caso uma micorriza do  género Sebacina) não existe portanto apenas na fase de crescimento do embrião, mas prolonga-se por toda a vida da planta. Acaba por existir uma associação Neottia-fungo-castanheiros e outras plantas, que permite a sobrevivência desta orquídea.

Exemplares fotografados a 8 de Junho de 2013, junto a Gondesende, Bragança, descobertos pela Luisa Borges, Joaquim Pessoa e Duarte Marques.

 Grupos de plantas num bosque de castanheiros

 A Neottia nidus-avis

 



 
 Pormenores das flores

Grupo de inflorescências do ano anterior

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ophrys apifera, tenthredinifera e seu hibrido x turiana

Na estrada entre Lavre e Ciborro, nos arredores de Montemor-o-Novo, existe uma curiosa população de Ophrys x turiana, hibrido entre Ophrys apifera e Ophrys tenthredinifera subs. ficalhoana.

A população é composta por plantas com as sépalas rosa e outras com sépalas quase brancas. Têm um porte elevado, nalguns casos superior a 1 metro.

Não se vislumbram exemplares de qualquer dos progenitores.


Fotos tiradas em 11 de Maio de 2013. O local está perto de uma estrada de terra batida, pelo que as plantas estão cobertas com algum pó.

 Aspeto geral da população

 Plantas com sépalas brancas e sépalas rosa






Ophrys x turiana

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Serapias occidentalis

Quanto no post de Abril de 2011 escrevi “ Existem 5 espécies de ervas-língua em Portugal: perez-chiscanoi, cordigera, strictiflora, lingua e parviflora “ estava longe de saber que, desde 2010, Luisa Borges e Joaquim Pessoa tinham encontrado, em Casmilo, Condeixa-a-Nova, em plena Serra de Sicó, exemplares da Serapias occidentalis, já descrita mas até então desconhecida para Portugal. 

Recomendo a leitura de Serapias occidentalis (Orchidaceae):appearance and distribution, de Joaquim Pessoa, Luísa Borges & Caspar Venhuis.

O texto está disponível em qualquer destes 2 links:

http://revistas.ucm.es/index.php/LAZA/article/view/37250
http://dl.dropboxusercontent.com/u/44247/015-019-Serapias%20occidentalis.pdf

Esta espécie, descrita em 2006, está ainda sujeita a alguma controvérsia, dado que pretende representar as plantas da Estremadura espanhola que anteriormente seriam denominadas Serapias vomeracea

Ver a descrição inicial em: http://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/2214381.pdf










Serapias occidentalis

Fotos tiradas em 17 de Maio de 2013.