domingo, 8 de fevereiro de 2015

Serapias cordigera gentilii junto a Lisboa

Ainda antes de começar com as orquídeas de 2015 (se for um ano tão bom como 2014 já fico muito satisfeito !) tenho alguns pendentes do ano passado.

Um deles refere-se a uma população de Serapias cordigera gentilii que existe na Quinta da Alagoa, em Montemuro, junto a Louza, nos arredores de Lisboa. 


Os exemplares apresentam flores pálidas, o que também acontece na S. perez-chiscanoi, que no entanto apresenta as peças florais de menores dimensões, em especial o hipoquilo, que é mais curto.


Encontrei pela primeira vez referência a esta população no site da SFO-PCV Société Française d'Orchidophilie de Poitou-Charentes et Vendée:


http://www.orchidee-poitou-charentes.org/article2380.html


A AOSP efetuou uma visita a este local no ano passado.


De nome completo Serapias cordigera subsp. gentilii C. Venhuis, P. Venhuis & Kreutz (2006), a subespécie foi dedicada a Antonio Gentil Cabrilla, biólogo espanhol, diretor técnico da Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura (Adenex).


Imagens registadas a 7 de Maio de 2014.







quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Zamiadroid

Desde o início da “época” de 2014, que uso o programa Zamiadroid para registar todas as minhas observações de orquídeas. Talvez um dia o ficheiro das observações venha a ser útil …

Criei uma ficha tipo, e também um Thesaurus com todos os taxa, o que facilita a escrita dos nomes na ficha.


Registo ainda a localização, as coordenadas, a altitude, tiro uma ou mais fotografias, e ainda tenho espaço para notas.


O Zamiadroid é gratuito e foi desenvolvido para Android (superior a 2.1). Comprei um tablet Samsung S3 com GPS (essencial) mas sem GSM (para ser mais barato).


Esta aplicação foi desenvolvida em ambiente universitário, no departamento de Biologia Vegetal da Universidade de Barcelona.


 http://biodiver.bio.ub.es/zamiaDroid/index.jsp


Em setembro de 2014 comecei a ver referências a uma versão para o iphone, que na prática não consigo carregar (não existe na Appstore ou na Itunes).


De qualquer forma, com a duração da bateria do iphone, nem faço ideia quantos registos conseguiria fazer sem recarregar… No Samsung não há problema !



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Nova Masdevallia

Comprei a minha primeira Masdevallia (M. impostor) no London Orchid Show promovido pela Royal Horticultural Society em abril de 2013. Floresceu em Junho de 2013, com uma estranha e belíssima flor.
 


 Masdevallia impostor

 Em Março de 2014, comprei no Porto, na 5ª Exposição Internacional de Orquídeas, uma Masdevallia decumana, a um expositor peruano (Peruflora, www.peruflora.net) - aliás esta espécie é nativa do Perú.

Foi esta última que floresceu nos primeiros dias de Janeiro de 2015.

Embora não tão espetacular como a primeira, é bastante interessante.

As condições que requere são muito semelhantes às das Phalaenopsis, em termos de temperatura, humidade e luminosidade.

Vamos a ver qual compro na exposição deste ano!




 Masdevallia decumana








sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A Epipactis palustris

A Epipactis palustris está muito provavelmente extinta em Portugal, embora P. Delforge (2006) ainda inclua o nosso País na sua área de distribuição.

As últimas localizações conhecidas, referenciadas em Tyteca (1998), a mais antiga de 1887 e a mais recente datada de 1961, são em:
- Matosinhos
-Vila do Conde
- Ílhavo
- Aveiro
- Praia de S. Jacinto

Nos últimos anos, os membros da AOSP têm efetuado diversas prospeções nestes e noutros locais, sem que tenham sido encontrados quaisquer exemplares.

O portal Flora-on não apresenta registo de observações desta espécie. A ecologia referida é: Juncais, pauis, turfeiras, prados húmidos na margem de corpos de água. Em sítios abertos e húmidos perto do litoral, sobre solos arenosos e frequentemente básicos.

A Epipactis palustris subsiste ainda na Galiza, onde ainda se encontram grandes populações. As fotos foram tiradas no Parque Natural de Corrubedo,  a 17 de Julho de 2014.

Agradeço a Joaquim Pessoa e a Xermán Garcia Romai ajuda na localização.












quarta-feira, 23 de julho de 2014

O sub-grupo Dactylorhiza maculata

Esta designação (sub-grupo) é de P. Delforge. A Dactylorhiza maculata (tal como a Orchis coriophora, referida anteriormente) também está incluída num (vasto …) grupo de orquídeas com alguma variabilidade ecológica e morfológica, que leva a alguma discussão relativamente à sua classificação taxonómica.

Em 1946, Gonçalo Sampaio na sua Flora Portuguesa considera  a existência da Orchis maculata (o género Dactylorhiza ainda não tinha sido proposto nesta altura). Pormenor interessante, considera que existe apenas na Serra do Caramulo uma Orchis latifolia, hoje sinónimo de Dactylorhiza majalis.

J. Amaral Franco, na Flora de Portugal, volume III, fascículo III (2003), considera a existência em Portugal da espécie D. maculata, e das sub-espécies caramulensis Vermeulen (1970) e ericetorum (E.F.Linton) P.F.Hunt & Summerhayes (1965).

As diferenças consideradas na Flora de Portugal são as seguintes:

 


Como é patente, a D. ericetorum seria uma planta de porte mais delicado e a D. caramulensis teria um porte mais robusto.

A Flora Iberica considera estas “subespécies” como “formas”, extremos de variação, só admitindo a designação D. maculata.

A “subespécie” caramulensis é considerada como uma forma robusta, com brácteas mais largas e o esporão maior e mais espesso existente no Norte de Portugal e zonas vizinhas Espanholas.

A “subespécie” ericetorum, existente nas turfeiras Cantábrico-Atlanticas, teria um porte mais delicado, flores mais pálidas e esporão mais curto.

Em 1989, Tyteca propôs uma nova espécie - Dactylorhiza caramulensis – para denominar o que antes em 1970 Vermulen tinha designado por subespécie. Tomou como tipo as plantas robustas existentes na Serra do Caramulo.

P. Delforge também considera a existência das 3 espécies, maculata, caramulensis e ericetorum.

Posto isto, vamos a casos concretos.

Em primeiro lugar, as plantas da Serra de Montemuro, junto a Cinfães. Fotografei-as em Maio de 2006. Parecem-me típicas caramulensis.












Em segundo, os exemplares da Serra da Estrela, que fotografei no dia 29 de Junho do ano passado, numa deslocação da AOSP à Serra da Estrela – onde vi pela primeira vez Epipatis fageticola, no Souto do Concelho.

Passei então por 2 locais onde existem exemplares do género Dactylorhiza:
- em frente à Lagoa Comprida
- no fim da subida de Manteigas, depois do Covão da Ametade
 
Os primeiros (L. Comprida) pareceram-me D. caramulensis,  enquanto que os últimos  levantam-me algumas dúvidas. As diferentes exposições solares dos 2 locais podem no entanto explicar as diferenças de porte das plantas.



 (Lagoa Comprida)





 (Covão da Ametade)

 Em terceiro lugar, as plantas do Gerês, onde as fotografei o ano passado em Julho quando andava à procura da Gymnadenia conopsea, e também este ano agora em Maio, quando o amigo Américo Pereira me guiou até ao Borrageiro. Parecem-me típicas ericetorum.





 Em quarto lugar, fotografias tiradas este ano nos lameiros do Monte Santa Isabel, Terras de Bouro. Dactylorhiza ericetorum.